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Boletim ASBAI Edição Nº 100 28 de abril de 2025

ACONTECEU NA ASBAI | Destaques do AAAAI 2025 e Simpósio Internacional de Alergia Ocular

Novos biológicos, alérgenos escolares, os impactos das mudanças climáticas nas doenças alérgicas e doença alérgica local

No início de abril, a ASBAI reuniu associados no II Alergo Imuno em Foco para apresentar os destaques do que foi abordado durante o Congresso da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia (AAAAI 2025).

Quatro temas centrais foram apresentados durante o Alergo Imuno: novos biológicos para rinossinusite crônica com pólipo nasal; escola e saúde; alterações climáticas e doenças alérgicas, e; doença alérgica local. O evento contou com a moderação da presidente da ASBAI, Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, e da diretora científica adjunta, Dra. Maria Elisa Bertocco Andrade.

Novos biológicos para Rinossinusite:

No Meeting da AAAAI de 2025 foi apresentado o resultado de dois ensaios clínicos de novos imunobiológicos para rinossinusite crônica com pólipo nasal. Os ensaios clínicos randômicos e controlados por placebo avaliaram, por 52 semanas, a adição de Depemokimabe e Tezepelumabe ao tratamento padrão de corticosteroide tópico nasal e irrigação nasal.

“O Depemokimabe é um anticorpo monoclonal anti-IL-5 de ultralonga ação, podendo ser utilizado a cada 26 semanas. O Tezepelumabe é um anticorpo monoclonal anti-TSLP, alarmina importante no processo inflamatório da asma e da rinossinusite crônica. Em ambos os estudos, as medicações foram superiores ao placebo, com redução nos escores de obstrução nasal e endoscópico dos pólipos. O perfil de segurança das medicações foi semelhante ao do placebo, sem eventos adversos graves. Dessa forma, abre-se a perspectiva de novos tratamentos para a rinossinusite crônica com pólipo nasal”, comenta Dr. Gustavo Falbo Wandalsen, diretor científico da ASBAI e palestrante do Alergo Imuno em Foco.

Escola e Saúde: 

É na escola onde a criança passa a segunda maior parte do seu dia e onde também se expõe a alérgenos, substâncias irritantes e poluentes.

Pesquisas têm demonstrado que, a depender do tipo de escola, a exposição a determinados alérgenos é maior. “Em creches e escolinhas, frequentadas por crianças menores e onde elas têm como atividade dormir, a exposição aos ácaros Dermatophagoides pteronyssinus, Dermatophagoides farinae e Blomia tropicalis ocorre sobretudo em travesseiros, colchões e colchas. Já nas escolas elementares, a exposição a alérgenos de baratas e de animais (cão e gato) é maior, possivelmente pelas menores condições de limpeza”, conta o Dr. Dirceu Solé, diretor de Pesquisa da ASBAI e palestrante do Alergo Imuno em Foco.

Estudos americanos – realizados em escolas em regiões pobres do nordeste dos Estados Unidos – documentaram relação direta entre o nível de exposição a alérgenos de camundongos (Mus m 1) e os sintomas de asma e queda da função pulmonar.

Dr. Solé chama atenção para outra observação: a identificação de esporos de fungos no interior do ambiente escolar, sobretudo nas salas de aula. Cladosporium, Aspergillus, Penicillium e Alternaria são os mais encontrados e sua contagem tem relação direta com o tamanho das manchas nas paredes.

Em localidades onde ocorre a polinose, o ambiente escolar também pode ser local de sensibilização aos pólens, pois, em decorrência das alterações climáticas, há mudança na duração das estações polínicas, aumento da quantidade de alérgenos nos pólens, assim como de sua capacidade alergênica.

Outro tópico a considerar é a exposição aos microplásticos aos quais as crianças são submetidas, sobretudo nas aulas de educação física ou mesmo no recreio, principalmente em pátios de polivinil.

“O radônio (Rn), gás radioativo liberado de rochas e de lençóis freáticos do subsolo, é a principal causa de câncer de pulmão em não fumantes e tem sido associado à apresentação de asma em crianças”, alerta o diretor de Pesquisa da ASBAI.

Alterações Climáticas e Doenças Alérgicas: As mudanças climáticas causadas pelo aumento da temperatura global, emissão de gases de efeito estufa e poluição atmosférica têm forte impacto na saúde planetária e humana, especialmente por intensificarem eventos extremos como secas, ondas de calor, incêndios, tempestades e inundações. Esses fenômenos contribuem para a disseminação e gravidade de doenças infecciosas e alérgicas.

A Dra. Marilyn Urrutia Pereira, coordenadora da Comissão de Biodiversidade, Poluição e Alergia da ASBAI, apresentou durante o webinar os principais impactos dos eventos severos da natureza nas doenças alérgicas:

Poluentes e alérgenos: agravam doenças respiratórias (asma, rinite) ao irritar vias aéreas, aumentar a permeabilidade a alérgenos, a produção de IgE e alterações epigenéticas, tornando as pessoas mais suscetíveis.

Mudanças na sazonalidade do pólen: elevadas temperaturas alteram as estações e aumentam a carga polínica, ampliando o potencial alergênico e a distribuição de espécies produtoras de pólen.

Eventos climáticos extremos: chuvas fortes e inundações aumentam a exposição a ácaros, baratas e fungos, desencadeando crises alérgicas; ciclones e incêndios amplificam a presença de poluentes e a vulnerabilidade alérgica.

Efeitos dos microplásticos: induzem resposta inflamatória, estimulando a produção de citocinas e a liberação de histamina.

“Ainda cito outros impactos na saúde causados pelas mudanças climáticas, como o estresse térmico, que afeta principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, podendo levar à sobrecarga dos sistemas de saúde e à insegurança alimentar; e a ecoansiedade, que são os desastres ambientais que provocam sofrimento psicológico, incluindo transtornos de ansiedade, depressão e aumento de suicídios”, conta a Dra. Marilyn Urrutia Pereira.

Doença Alérgica Local: A alergia respiratória inclui rinite alérgica, conjuntivite alérgica e asma alérgica, com sintomas desencadeados pela exposição a aeroalérgenos, levando indivíduos predispostos a produzirem IgE específica após contato e desencadeando  inflamação e sintomas respiratórios em exposições futuras. Os principais aeroalérgenos são os ácaros da poeira, epitélio de animais (cão e gato), alérgenos de barata, fungos e pólens.

A Dra. Rosana Câmara Agondi, que palestrou sobre o tema no webinar, disse que o diagnóstico é feito pela pesquisa da IgE específica, através de testes cutâneos ou exames de sangue, aliados à avaliação clínica. Vale ressaltar que pessoas saudáveis podem apresentar testes positivos sem manifestação de sintomas, indicando apenas sensibilização. Em casos de rinite alérgica, determinar a relevância clínica do resultado pode ser difícil, especialmente em presença de sintomas irregulares ou multissensibilização.

“A escolha de alérgenos para imunoterapia precisa ser cuidadosa, considerando possíveis casos de rinite alérgica local. Neste quadro, há sintomas típicos, mas os testes de sensibilização sistêmica são negativos. A confirmação de alergia respiratória local é feita por provocação com o alérgeno suspeito diretamente na mucosa do órgão (nariz, olhos ou brônquios), método que avalia a resposta órgão-específica”, explica Dra. Rosana.

A especialista conta ainda que existe uma interação imunopatológica entre as vias aéreas superiores e inferiores ― chamada de vias aéreas unidas. Dessa forma, a inflamação pode ocorrer de forma bidirecional entre mucosa nasal, conjuntiva e brônquios. “Em pacientes com sintomas de asma, mas sem IgE específica, um teste de provocação nasal pode confirmar o diagnóstico de asma alérgica, caso o resultado seja positivo”, conta Dra. Rosana Agondi.

 

Cerca de 40% da população tem alergia ocular

O I Simpósio Internacional de Alergia Ocular, realizado pela ASBAI, apresentou abordagens sobre tratamentos e complicações causadas pela alergia ocular. O evento contou com a participação de um dos maiores estudiosos do tema, o Dr. Andrea Leonardi, da Itália. A Dra. Leda Sandrin, Coordenadora do Departamento Científico de Alergia Ocular da ASBAI, conta mais detalhes neste vídeo.

O I Simpósio Internacional de Alergia Ocular já está disponível na Universidade ASBAI. Clique aqui e se atualize!