Promover a educação médica continuada e a difusão de conhecimentos na área de Alergia e Imunologia, fortalecer o exercício profissional com excelência da especialidade de Alergia e Imunologia nas esferas pública e privada e divulgar para a sociedade a importância da prevenção e tratamento de doenças alérgicas e imunodeficiências.

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Boletim ASBAI Edição Nº 105 29 de setembro de 2025

ACONTECEU NA ASBAI | Inteligência Artificial e Alergia Alimentar

V Alergo Imuno conecta ciência à inteligência artificial

No final de agosto (27/08) a ASBAI promoveu para seus associados o V Alergo Imuno em Foco, que trouxe para o centro das discussões “A Inteligência Artificial e Novas Tecnologias em Saúde”. A palestrante convidada Marta Duran Fernandez, formada em Ciência da Computação e Chief Technology Officer da Clarity Health, ministrou aula sobre “Inteligência Artificial: uma jornada pelos caminhos da inovação em Alergia e Imunologia”.

Foram 143 participantes on-line durante o evento, que contou ainda com a abertura da Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI, e com a moderação da Dra. Chayanne Andrade, Coordenadora da Comissão de Tecnologia, Inovação e Inteligência Artificial da ASBAI, criada nesta gestão.

Marta iniciou a aula contando que o volume exponencial de dados na área da saúde é um dos principais motivadores para a adoção da inteligência artificial (AI). Enquanto em 1950 o conhecimento médico dobrava a cada 50 anos, em 2020 esse tempo se reduziu para apenas 73 dias. Neste contexto, a IA surge como uma solução para lidar com bilhões e até trilhões de variáveis, analisando informações massivas, incluindo o fato de que imagens médicas compõem cerca de 80% do conteúdo clínico.

“A IA já demonstra resultados surpreendentes, especialmente no diagnóstico por imagem. Além disso, o processamento de linguagem natural (PLN) acelera a análise de registros médicos, extraindo informações valiosas de textos não estruturados”, comentou Marta Fernandez.

Em 2024, Marta, junto com um grupo de pesquisadores, criou um sistema para identificação precoce de Erros Inatos da Imunidade (EII) utilizando inteligência artificial. “No contexto específico da imunologia, estudos de caso reais evidenciam o poder da IA. Um trabalho que utilizou a técnica Random Forest, por exemplo, tinha como objetivo saber qual era a chance de um indivíduo ter o diagnóstico confirmado de erros inatos da imunidade. Esse trabalho resultou no desenvolvimento do aplicativo TAMI, ferramenta que aponta a probabilidade de o paciente ter ou não EII”, disse Marta durante a apresentação.

Durante a aula, Marta também comentou sobre a plataforma “Panda Omics”, empregada na identificação de alvos comuns para o tratamento de asma, eczema e alergia alimentar, revelando novas abordagens terapêuticas.

A palestrante pontuou ainda outras contribuições da IA na área da Saúde, como:

– Otimização do desenvolvimento de novos medicamentos e terapias.
– Modelagem de resposta imunológica.
– Suporte à decisão clínica e diagnóstico, não substituindo o médico, mas ampliando sua capacidade.
– Classificação de doenças e predição de risco em diversas condições. 

IA como classificadora, preditora e controladora – A inteligência artificial se destaca ainda na classificação e rótulo, agrupando dados para identificar, por exemplo, pacientes com comorbidades específicas, mesmo a partir de milhares de variáveis; identificação de padrões para prever comportamentos ou desfechos futuros; e no aprendizado por reforço, com algoritmos que aprendem e tomam decisões autônomas em tempo real. “Um exemplo em imunologia é a otimização de processos de biofabricação, como a ativação de células CAR-T, onde a IA aprende a maximizar a população de células”, explicou Marta.

Uma das tendências mais atuais, de acordo com a palestrante, são os “agentes de IA”, algoritmos capazes de perceber, raciocinar e agir de forma autônoma. “Eles podem coletar informações de prontuários eletrônicos, dados laboratoriais e imagens, aplicar algoritmos para propor diagnósticos, sugerir terapias ou monitorar pacientes”.

Apesar do vasto potencial, a implementação da IA não está isenta de desafios. A qualidade dos dados é fundamental: dados desestruturados ou incompletos podem comprometer a acurácia dos modelos. “O viés no treinamento dos algoritmos é outra preocupação. É crucial que a comunidade científica e os profissionais da saúde trabalhem em conjunto para mitigar esses obstáculos e garantir o uso ético e responsável da IA”, conclui Marta Duran Fernandez.

Dicas de Marta Duran Fernandez compartilhadas:

Tenha no WhatsApp:
Chat GPT: +18002428478
Copilot: +18772241042
Perplexity: +18334363285

Ferramentas para pesquisas:
Open Evidence: https://www.openevidence.com/
Consensus: https://consensus.app/
Elicit: https://elicit.com/

XIV Simpósio Internacional de Alergia Alimentar traz avanços e alertas sobre o impacto clínico e psicossocial das alergias

O XIV Simpósio Internacional de Alergia Alimentar, realizado nos dias 12 e 13 de setembro na capital paulista, reuniu 224 especialistas para discutir os últimos avanços no diagnóstico, tratamento e impacto social das alergias alimentares. O evento destacou desde as bases do diagnóstico até as descobertas mais recentes sobre fatores ambientais e emocionais ligados a essas condições.

Um dos consensos reforçados durante o simpósio foi a importância da história clínica como ferramenta fundamental para o diagnóstico preciso de alergias alimentares. No entanto, a palestrante internacional, Dra. Isabel Skypala, do Reino Unido, chamou atenção para o crescente papel do expossoma – o conjunto de fatores ambientais que influenciam a saúde – no desenvolvimento dessas condições, ultrapassando até mesmo a predisposição genética em alguns casos. “As mudanças climáticas são apontadas como um agravante, com o aumento da concentração de pólen no ar elevando os casos da Síndrome de Alergia por Pólen”, disse a palestrante.

No campo da nutrição, o simpósio trouxe dados preocupantes sobre os alimentos ultraprocessados, confirmando seu papel como indutores de alergias. Em contrapartida, o leite materno foi reforçado como um potente imunomodulador, capaz de induzir tolerância e proteger contra reações alérgicas. Já os leites vegetais, embora sejam alternativas comuns, foram destacados por seu valor nutricional inferior em comparação ao leite de vaca, exigindo acompanhamento médico na escolha de substitutos adequados.

O impacto psicossocial das alergias alimentares foi um dos destaques do evento. “Estudos mostram que crianças com essa condição frequentemente se sentem isoladas, especialmente em ambientes como escolas, onde a exclusão durante lanches coletivos é comum. Adolescentes, por sua vez, enfrentam quadros de ansiedade devido ao medo de reações alérgicas e à dificuldade de inclusão social. Além disso, pesquisas revelaram que o sistema nervoso é diretamente afetado pela alergia alimentar, mantendo o cérebro em estado de alerta constante”, contou Dra. Érica Gomes, durante a sua aula no Simpósio.

A esofagite eosinofílica (EoE) também esteve em pauta, com especialistas destacando a recusa alimentar, dor abdominal e falência no crescimento como sinais clínicos importantes em crianças.

“Dados indicam que a prevalência de EoE durante a imunoterapia oral varia entre 2,7% e 6,25%, reforçando a necessidade decisões individualizadas que considerem a gravidade da alergia e as preferências do paciente e da família”, disse a Dra. Valéria Bottan.

O evento também abordou o crescimento de reações alérgicas a alimentos típicos de dietas veganas, como leguminosas, sementes e as chamadas “superfoods”. A discussão reforçou a importância do diagnóstico preciso e da orientação nutricional especializada para evitar deficiências e garantir segurança alimentar.

“À medida que a ciência avança, fica claro que o manejo das alergias alimentares exige uma abordagem multidisciplinar, integrando conhecimentos da alergia, imunologia, nutrição e até mesmo da psicologia. O simpósio deixou um recado claro: além de tratar os sintomas, é essencial olhar para o paciente como um todo”, declara a Dra. Jackeline Motta Franco, Coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da ASBAI.

Curso de Teste de Provocação Oral para Alimentos

Antecedendo o Simpósio de Alergia Alimentar, a ASBAI realizou, nos dias 11 e 12 de setembro, o Curso de Teste de Provocação Oral para Alimentos reuniu 40 especilaistas que vivenciaram na prática todas as necessidades que o alergista e imunologista precisa dominar para a realização do TPO no pré-teste, intrateste e pós-teste. “Houve grande demanda dos associados em relação ao curso de TPO para Alimentos e, por isso, estamos analisando uma nova edição em breve”, contou a vice-coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar, Dra. Germana Pimentel.